Esta pintura é uma das mais emocionantes que já fiz. O desejo e a necessidade de fugir, que eu/nós freqüentemente sentimos, não só me inspiraram a pintar esses sentimentos íntimos, mas também a registrá-los em forma de poema:
Em fuga
todos nós já estivemos
ou ainda estamos
voluntariamente
involuntariamente
do trabalho
para o trabalho
da realidade
para a ilusão
da pátria
para o estrangeiro
da pobreza
para o “Eldorado”
da arbitrariedade política
para o Estado de Direito
da desumanidade
para a humanidade
do fanatismo religioso
para a verdadeira misericórdia
da guerra
para a paz
de nós mesmos
para os outros
dos outros
para nós mesmos
(Marcos Vieira)

