Respiramos o teu ar
e deixamos que a tua brisa nos beije
e que o teu vento nos empurre para trás
ou nos impulsione para a frente
Bebemos a tua água
e deixamos que a tua chuva nos molhe
e que o teu aguaceiro
nos molhe até os ossos,
quando assim o quisermos
Caminhamos sobre a tua terra
e construímos nossas casas
sobre o teu solo firme,
que nos sustenta como mãos amorosas
Buscamos proteção contra o sol quente
sob a copa de tuas árvores sombreadas
e comemos os frutos que amadurecem nelas,
enquanto ouvimos o canto dos pássaros,
que se sentam nos galhos ou chocam seus ovos
Nós nadamos, chapinhamos
e deixamos os pés balançarem em teus lagos e lagoas
ou exploramos a extensão de teus rios
e a beleza de suas margens
Mas… nós expelimos gases tóxicos em teu ar
das chaminés de nossas fábricas
e dos escapamentos de nossos carros
Nós poluímos os teus riachos,
os teus rios, os teus mares,
cuspimos nas tuas águas
Sujamos os teus prados e florestas
com o nosso lixo jogado fora sem pensar,
incendiamos as tuas florestas virgens
por ganância,
destruímos o nosso próprio lar
por causa do dinheiro…
Há pouco mais de cem anos
somos como crianças malcriadas contigo, Mãe,
esquecemos o que significa consideração, empatia, responsabilidade
e respeito pela natureza, pelos nossos semelhantes,
pela vida
Tu sempre alimentaste e sustentaste generosamente todas as criaturas,
mas agora tu nos “educas”, fazendo-nos sentir as consequências de nossos atos
com toda a severidade
No fundo, não te importa
se vamos sobreviver ou não,
pois continuarás a existir sem nós…
Tu não precisas de nós.
Marcos Vieira, 2021

