Hesitei antes de tirar essa pintura do depósito, depois de mais de vinte anos. Em 11 de setembro de 2001, terroristas islâmicos fanáticos cometeram um terrível atentado contra a humanidade. Quando isso aconteceu, eu estava no ateliê e, ao assistir às imagens chocantes na televisão, fiquei profundamente abalado. Fiquei dias sem conseguir pintar. É difícil olhar para esta obra, mas ela é a expressão da minha dor, da minha impotência diante de tamanha crueldade. Na exposição em que exibi essa obra apenas uma única vez em todos esses anos, uma jovem se aproximou de mim e disse, com lágrimas nos olhos: “Meu colega de escola estava em um dos aviões que se chocaram contra as Torres Gêmeas”. Penso nas cerca de 3.000 pessoas que, naquele dia ensolarado, foram para o trabalho e acabaram morrendo; penso nos bombeiros que, em sua tentativa de salvar vidas, perderam as próprias; e, acima de tudo, penso nos familiares que sentem uma saudade terrível de seus entes queridos…

